segunda-feira, 29 de abril de 2013

TOUR GENESSE 2013


Está feito o Tour Genesse com tudo o que tem direito: fugas, prémios de montanha, combatividade, empenos e acima de tudo muitas e boas histórias para recordar.

A quarta etapa começou lenta e com pouca vontade, entre cafés e barroquinhas lá se fizeram os primeiros kms, mas o desafio adivinhava-se difícil, sabíamos que tinhamos a Serra do Caldeirão à nossa espera e a qualquer momento o homem da marreta podia aparecer e deixar um homem atordoado, houve quem tivesse bem perto ( dizia o moço meio sonolento epá esta estrada aborrece-me).

Os kms foram passando Aljustrel (com direito a paragem com birra ), Castro Verde, Almodôvar (nova paragem) , e depois começou o tira teimas subida para o Ameixoal , Barranco do Velho , Miradouro da Serra do Caldeirão ( estava feito agora era sempre a descer J ), Alportel e siga direito a Faro (surpresa do Daniel uma tatuagem para a bike alusiva ao Tour Genesse 2013).

Após uma breve paragem, contra relógio de equipa até Monte Gordo, chegada sem baixas e em grande para todos os elementos do Team.

AGORA AGUARDAMOS O TOUR 2014…

terça-feira, 23 de abril de 2013

N2 ETAPA 3 TOUR GENESSE


Estamos em Ferreira e parece que os ares do Alentejo arrebitaram o pessoal, ao contrário dos outros dias em que se percebia o cansaço, num ou noutro rosto hoje está tudo em altas, já cheira a conquilha J.
Podemos começar pelas frases do dia :
Epá o ritmo ai à frente está muito rápido, um gajo só deixa de pedalar nas descidas.
Epá aquele gajo  está forte mas com a quantidade de géis e barras que já tomou estou com receio de o encontrar já frio na cama de manhã. – Epá é tapa-lo com um cobertor .
Hoje estou com as rodas cheias de alcatrão.
Epá doí-me o corpo todo aqui ( o rapaz agarrava-se às costelas)
O pessoal começou com azia, a estrada puxava e a rapaziada não foi de modas “bota brita” até levantar alcatrão, passados os primeiros kms, ainda antes de Ponte de Sor começaram os queixumes, o detentor do prémio revelação e de montanha das etapas anteriores teve uma falta de ar, digamos que o rapaz estava a abafar, devia ser da deslocação de ar. Depois o detentor do prémio de indisciplina também se quis candidatar e ajudar à festa, e amuou com o ritmo do pelotão. De forma a sanar a situação quando chegámos à Albufeira de Montargil fomos a banhos para arrefecer os ímpetos e soltar os intestinos.
Já recompostos ala que se faz tarde e temos mais uns kms pela frente sempre acompanhados por uma paisagem verdejante de campos a perder de vista e um cheiro inebriante, os kms foram passando e pela hora do almoço passámos Montemor rumo ao nosso destino. Depois começaram de novo os queixumes, paragem em Alcaçovas para um café  e siga de novo, rumo a Ferreira do Alentejo, chegados, instalámo-nos na Casa Verde e fomos refrescar na piscina .
Agora é Jantar e amanhã vai ser outro dia que nos vai levar até Montegordo.
Prémios do dia
Prémio look (style) : Pili
Prémio combatividade : Paulo
Prémio Carreira / Velhas Glorias : Daniel (Atenção que o homem já foi 12º no Campeonato de XCO, na altura em que as bikes tinham forqueta à frente e 12 participantes)
Prémio Equipa : Sica


segunda-feira, 22 de abril de 2013

N2 ETAPA 2 TOUR GENESSE

Esta era a Etapa Rainha, a mais extensa 220 kms e quase 3000 mts de desnivel positivo impunham respeito e os empenos estavam sempre à espreita dos mais incautos. No entanto hoje o Team Genesse esteve ao mais alto nivel e todos passaram o desafio com distinção.
A etapa começou com um sobe e desce até chegarmos perto do IP3, depois tomámos uma decisão que se mostrou a mais correcta, fomos conhecer a ecopista do Dão que nos levou até Santa Comba Dão, um percurso magnifico pela antiga linha de caminho de ferro com o Mondego a acompanhar-nos na maioria do trajecto e um verde exuberante que nos entra pelos olhos e cria um ambiente quase mágico.
No final a ecopista termina sem aviso prévio e tivemos de fazer um pouco de ciclocross até à Estação de Caminho de Ferro.
Seguimos caminho e fomos fintando o IP3, revienga para a direita, revienga para a esquerda até à Barragem da Aguieira, é um espectáculo ver as albufeiras cheias, seguimos até Penacova e depois continuamos até Gois, e aí começou a verdadeira dureza, subidas de categoria especial e descidas de categoria extra, cerrámos os dentes e continuámos Pedrogão, Sertã outra subida de categira especial até Vila de Rei e finalmente chegámos ao nosso destino Abrantes.
Cansados , já jantados agora é hora da caminha.
Prémios do dia :

Prémio da vontade : Daniel
Prémio de Mérito e mais que tudo : Joca
Prémio da Montanha: Teo
Prémio de Equipa: Miguel ( mas já começou a contestação)

Abraço e até amanhã ( vai ser o tira teimas)

domingo, 21 de abril de 2013

N2 ETAPA 1 TOUR GENESSE

Depois de uma viagem de expresso para Chaves a lembrar velhos tempos, a Cidade de Chaves foi uma agradável surpresa, uma grande simpatia de toda a gente e principalmente um lanche e jantar magnificos na Pensão O Flavia.  Esta casa centenária foi reinventada e o resultado é uma experiência única para recordar por muitos e bons tempos. Um muito obrigado ao Sergio pela forma como nos recebeu no seu espaço, esteve tudo magnifico, uma degustação única, lembro a Sandes à Chefe, os cogumelos panados, o vinho magnifico, tudo 5 estrelas.
Despedimo-nos com um Ripipi e fomos pernoitar, ainda consegui ver o João Silva a repetir um Podium e passar para a liderança do Circuito Mundial de Triatlo.
Às 7 horas estavamos de pé e depois de um bom pequeno almoço seguimos para a foto da praxe junto do KM 0 da N2.
Começámos em amena cavaqueira e foi ir vendo os kms passar  10 , 20 , 30 , a coisa até estava a parecer fácil, pura ilusão ainda antes da chegada ao Peso da Régua algumas subidas foram deixando as suas marcas, depois da Chegada a Lamego, a porca torceu o rabo e depois de fazermos uma subida de 2kms, tivemos de voltar para trás, ainda assim conseguimos enganar-nos de novo e fazer uma picada com uns 6 kms ( passámos em frente aos Rangers) e depois até Castro D´Aire foi continuar a subir e subir e subir o primeiro empeno chegou e lá tivemos que abrandar um pouco para chegarmos todos juntos a Viseu depois de 8 horas a pedalar.
No final do dia houve entrega dos diferentes prémios:
prémio de indisciplina : Pili
prémio revelação : Teo
prémio Equipa : Ciri ( muito contestado :-)
prémio empeno : Daniel

Amanhã nova dose de diversão com mais 200 kms e 3000 metros de acumulado vai levar-nos de Viseu até Abrantes.

sábado, 20 de abril de 2013

Inicio do tour genesse

Ja demos o pontapé de saída, parece-me que hoje vai ser o dia mais complicado, 6 h de expresso, faz lembrar a musica dos xutos ( de Lisboa a Bragança ) . Vou dando notícias desta aventura, 4 dias, 800 kms, percorrer Portugal de lês a lês .

domingo, 7 de abril de 2013

ESTOU DE VOLTA

O inicio de temporada não tem sido fácil, o treino não andava a ser feito com a mesma vontade, a intensidade era mais baixa que o habitual o peso ainda está uns kilitos acima, o cenário apresentava-se sombrio. Confesso que ainda pensei dedicar-me somente ao TriTurismo, mas em Alpiarça percebi que não consigo viver sem ser a competir.
Ficar em 11º lugar do escalão foi um enorme melão.
Estava decidido a mudar este estado de coisas já neste fim de semana, apesar de saber que ainda estou longe da forma desejada sabia que tinha a oportunidade de voltar a competir pelos primeiros lugares.
Bastou acreditar, sofrer um bocadinho e aí está de novo um podium.
Na memória fica um grande fim de semana passado na companhia de amigos, grande jornada de Triatlo.

domingo, 27 de janeiro de 2013

DUATLO DO JAMOR 2013- 3,2,1 ....

Está feito o primeiro Duatlo da época, com todos os objectivos cumpridos. Grande confraternização com a tribo do Triatlo, de novo a adrenalina da partida, sentir a corda na garganta na primeira corrida, muita diversão com a bike na lama, fim da prova sem grandes sobresaltos.


As fotos comprovam a diversão

sábado, 26 de janeiro de 2013

QUE COMECEM OS JOGOS - FIM DA LETARGIA

Um Inverno rigoroso daqueles que mete a velha no covil, acentuou o ciclo normal de letargia que se segue ao final de uma época competitiva. O corpo pede descanso, temos que o deixar engordar uns kilitos, para agora aos poucos irmos afinando a máquina, nada como uns Duatlos para começar a mexer. Mantendo a tradição o Jamor vai dar o pontapé de saida para a nova época, é uma festa onde revemos os velhos amigos e vimos ano após ano novos praticantes que chegam à modalidade, este ano a diversão está garantida com muita lama para mais tarde recordar. Já lá vão 4 anos desde a minha estreia pelo Peniche nesta prova num ano tambem com muita lama como se pode vêr na foto.
Vamos lá então ...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

AQUARELA

A radio tem destas coisas, nos momentos em que estamos quase a deitar a toalha ao chão assoberbados pelo peso de tantas coisas más, descobrimos na simplicidade de uma música a esperança num mundo melhor em que existe um tempo e um espaço para construirmos a felicidade.
Convido-vos a sonhar
http://www.youtube.com/embed/IG1ZU56tsdo
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
a rir ou chorar ...

sábado, 1 de dezembro de 2012

PASSO A PASSO

Vou tentar explicar algo que nem sempre é fácil de perceber para quem não conhece a Tribo.
Existe quem jogue futebol, quem corra quem nade, quem jogue tenis , and so on , mas não existe quem faça Triatlo, porque na realidade o Triatlo é algo que se torna parte de nós.
Existem Triatletas, todos eles têm uma rotina que se torna uma religião, adaptamo-nos esticamos o tempo, mas acima de tudo temos de nos saber motivar e ter a disciplina necessária para dia após dia, mês após mês, ano após ano, treinarmos com mais ou menos intensidade mais ou menos volume, mas o treino é algo que faz parte da nossa vida e não podemos viver sem ele e ao fim de algum tempo descobrimos que nos tornámos pessoas diferentes, melhores, mais saudáveis, mais magros :-) , mais disciplinados, mais persistentes.
Agora que se aproxima uma nova época estou de novo à procura do meu equilibrio.

domingo, 18 de novembro de 2012

5 ANOS DE TRIATLO

Hoje realizámos o nosso convivio anual, uma ocasião em que a familia do Triatlo de Peniche se reúne, atletas e familias todos juntos para contarmos histórias, comermos sardinhas, bebermos uns tintos, analisarmos a época que passou e darmos o pontapé de saida para a época que se avizinha.
Este ano convidámos a população para correr com o nosso Campeão do Mundo o Márcio que teve uma mais que merecida homenagem e foi eleito por unânimidade como o nosso atleta do ano.
Foi um ano bom para o Triatlo de Peniche a equipa afirmou-se como uma referência no Triatlo Nacional, com uma participação em praticamente todas as provas do Calendário Nacional e excelentes prestações no Campeonato Nacional 6º lugar e Taça Porterra 5º lugar.
Entraram excelentes amigos para a equipa e reforçámos o espirito que caracteriza o Peniche, em primeiro a amizade, o convivio e o que nos dá prazer "participar nas provas", depois os resultados.
Fizémos 5 anos, temos um novo site onde podem ir acompanhando as nossas noticias https://sites.google.com/site/pactriatlo/
Da minha parte agradeço todos os bons momentos que tenho passado com os meus companheiros de equipa, contem conosco para o próximo ano.

sábado, 3 de novembro de 2012

QUERO MAIS, PORQUE SIM ;-)

Tempo de mudança e tempo de certeza.
No meio do turbilhão que se tornou a vida de muitos Portugueses, eu tenho uma certeza chegámos ao fim de um ciclo, não sei o que aí vem, mas sei o que quero, para mim empobrecer não é uma solução. Acho que todos nós devemos ter ambição, não de ter mais, mas de ser mais, sermos melhores e conseguirmos aproveitar o melhor de nós e dos que nos rodeiam.
Quem me conhece sabe que sou por natureza optimista, mesmo quando as nuvens que pairam indicam uma grande tempestade, penso na bonança que virá a seguir.
Devemos retirar uma lição, não podemos deixar o nosso destino nas mão de qualquer um, temos de ser mais exigentes com quem nos lidera e desconfiar sempre das soluções mais fáceis, quando alguém desbarata dinheiro público temos o dever de apontar o dedo, quando alguém foge às suas responsabilidades temos de apontar o dedo, quando alguém nos quer tornar mais pobres temos de lutar por alternativas.Também temos de desmascarar os "falsos estadistas" que continuam a dizer que avisaram, mas nada fizeram quando podiam e deviam ter agido. Em vez disso também lucraram com o sistema vigente, e outros  "pseudo estadistas",  que perante o problema que está à vista de todos, o sobreendividamento nos dizem que a solução para esta crise está ao virar da esquina, basta emitir mais moeda e encharcar o mercado de liquidez.
Ser orfão é triste mas ter Pais como Cavaco e Soares ainda se torna mais triste, costuma dizer-se que ninguém tem culpa dos Pais que tem, infelizmente não é o nosso caso, os Portugueses votaram e confiaram nestes Senhores.
É possivel existir vida para além da crise?
Estou convito que sim, mas não com este sistema partidário.

sábado, 20 de outubro de 2012

MÁRCIO NEVES O NOSSO CAMPEÃO



O sonho de qualquer triatleta, é um dia poder estar na Grande Ilha de Kona no Hawaii, foi aí que tudo começou, diria que a presença no Campeonato do Mundo de Ironman que se realiza todos os anos no Hawaii, é tão importante para um Triatleta como a peregrinação anual a Meca realizada pelos Muçulmanos.
Todos os anos são dezenas de milhar os triatletas que tentam a sua qualificação e desses menos de mil são qualificados directamente nos vários escalões para poderem participar no Campeonato do Mundo, depois existem aqueles que conseguem o seu lugar através de um sorteio, onde alguns sortudos conseguem cumprir o seu sonho.
Este é um evento Universal, com uma cobertura enorme por parte dos média. Em Paises como os Estados Unidos, Australia, Nova Zelândia, Inglaterra, Alemanha, and so on, os atletas que conseguem algum resultado de relevo são alvo da atenção mediatica e o seu esforço e dedicação é largamente compensado pelos apoios e patrocinios que conseguem reunir.
Este ano um atleta enorme que se dedica de corpo e alma ao Triatlo alcançou um feito único e inédito no nosso País, Márcio Neves o meu companheiro de Equipa ( grande Peniche AC) , sagrou-se Campeão Mundial do seu escalão.
Espero que também por cá algumas pessoas e marcas estejam atentas ao feito deste Campeão diria que é um investimento com retorno garantido. A humildade, persistência, esforço e dedicação tornan-no um ícone para todos os que praticam Triatlo, mas também para todo o País que olhando para o seu exemplo consegue ver que nós PORTUGUESES, se nos dedicarmos podemos mesmo ser os melhores do Mundo. Gostava muito que uma das nossas Marcas Nacionais usa-se o exemplo do Márcio como um exemplo para o País.
Obrigado Márcio.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Site do Peniche AC

Para quem quiser acompanhar as prestações da equipa de Triatlo do Peniche AC, o clube criou um site onde poderão acompanhar as noticias, resultados das provas , fotos, recortes de imprensa e tudo o que diz respeito à nossa grande familia.
Passarei a ter um link directo neste blog para o site do clube que se encontra à distância de um clik https://sites.google.com/site/pactriatlo/

domingo, 7 de outubro de 2012

PARA O ANO HÁ MAIS

Hoje terminei a época de Triatlo com a participação no Triatlo Olimpico de Lisboa, era a última etapa do Campeonato Nacional e depois da desistência em Montemor com a corrente partida e com uma prestação abaixo do desejado em Aveiro, só me restava fazer uma boa prova para acabar a época em grande.
Felizmente a prova acabou por correr de feição, apesar de uma natação desastrada que me fez sair da água no minuto 25, beneficiei do "fenómeno" Pedro Pinheiro, saiu mesmo atrás de mim do parque de transição e senti-me literalmente rebocado no ciclismo acabando por fazer o 11º tempo com 1h 00´02´´, infelizmente já na última volta aconteceu uma queda grave com vários envolvidos, um deles o Pedro que após um segmento inteiro a puxar se tinha resguardado um pouco no meio do grupo, sem dúvida um grande galo. Tirei uma conclusão o ciclismo neste circuito é uma lotaria com tantos buracos e com os grupos que se formam a probabilidade de nos vermos envolvidos numa queda é enorme, tive a sorte de não ser eu.
Comecei a correr e apesar de não me sentir super, deu para aguentar o ritmo inicial, acabando por conseguir a minha melhor marca num triatlo olimpico 2h06m15s, o 27 lugar da geral e 3º do escalão.
Foi uma boa época com muitas subidas ao podio e acima de tudo sem lesões e a divertir-me muito, para o ano temos mais diversão.
Um abraço a todos os que foram torcendo por mim ao longo da época.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

TRIATLO DA AMIZADE -VILA NOVA DE CERVEIRA

Esta é uma daquelas provas que já se tornou um clássico do calendário nacional. O facto de através do Triatlo juntarmos os povos Português e Galego numa comemoração anual foi uma excelente ideia que tem feito o seu caminho nesta festa que foi batizada como o Triatlo da amizade.
A prova tem vários aliciantes o primeiro dos quais a travessia do Rio Minho, este foi um daqueles anos em que a corrente mostrou a sua força e os atletas tiveram que se esforçar para chegar à outra margem. Fiz uma navegação muito boa e consegui sair da água com 11´30´´ na 11ª posição, depois veio o segmento de BTT, que apesar de ser pouco técnico exigia bastante ao nivel fisico com várias subidas e descidas, por fim uma corrida pelo meio de Cerveira com o público nas esplanadas a aplaudir os atletas, um muito obrigado pelo apoio.
No final o resultado foi excelente 16º posição na geral num pelotão de 150 triatletas e 1º no escalão V1.
Agora só penso em esforçar-me para ainda fazer mais e melhor.
um abraço e bons treinos.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

TRIATLO DO ALAMAL- TAÇA PORTERRA

Foto: Filipe Valente
Os Triatlos disputados em versão todo o terreno ( BTT ), normalmente são provas em que a diversão é garantida se lhe juntarmos uma corrida tipo trail ficamos com uma prova única e foi o que aconteceu com este I Triatlo do Alamal.
O Triatlo tem-se mostrado uma excelente aposta por parte de alguns Municipios  que ao organizarem provas atraem novos visitantes ( participantes e familiares), às suas terras e desta forma dão a conhecer o seu património natural. O Municipio do Gavião e o Inatel estão de parabéns pela excelente organização  e pela forma como acolheram todos os participantes.
Foto: Filipe Valente
A prova correu-me muito bem, numa altura complicada ( confesso que a prestação de Aveiro não me tinha satisfeito, sabia que podia fazer mais e melhor) , desta forma consegui recuperar a confiança e ganhar o ritmo competitivo necessário para encarar as poucas provas que faltam para terminar a época.
Depois de uma natação conservadora , resguardado para um segmento de BTT que sabia que ia ser complicado e um mini trail no final que se adivinhava um parte pernas brutal, senti-me sempre muito bem e consegui deixar tudo em prova.
foto : Rita Lopes
No final a satisfação de subir ao podio.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Campeonato Nacional de Triatlo

O fim de semana foi de más sensações e bons resultados.
A prova do Campeonato Nacional Individual não correu da forma que esperava, durante os segmentos de ciclismo e grande parte da corrida não me consegui soltar e parecia que estava a mover uma montanha, valeu o resultado 2º lugar nos V1.
No Domingo senti-me bem melhor e ajudei a equipa a conquistar o Triplete (vencedores em veteranos das estafetas do Campeonato Nacional de clubes de Duatlo, Aquatlo e finalmente Triatlo).
Para fechar com chave de Ouro no final das 20 etapas que constituiam o Campeonato Nacional de Clubes terminámos em 6º lugar meio de 56 equipas participantes.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

VAMOS LÁ ENTÃO

Vamos lá então ao que falta da época competitiva.
Esta expressão que utilizei para titulo do blog, "sai-me" muitas vezes e funciona como uma tomada de fôlego ou um primeiro passo para algo que se avizinha trabalhoso.
Após a jornada épica em Vitória, que foi sem dúvida das melhores experiências que tive no Triatlo, uma prova fantástica com uma companhia excelente, um público como nunca tinha visto igual e um resultado que me deixou muito satisfeito, é preciso encontrar motivação para o que falta da época competitiva.
A verdade é que este final de época tem muito e boa competição, dois Triatlos Olimpicos, dois Triatlos BTT, e espero ter companhia para fazer o Triplete no Campeonato Nacional de Clubes no escalão de Veteranos. Depois de termos levado o Peniche AC ao lugar mais alto do podio no Duatlo e aquatlo espero conseguirmos o mesmo agora no Triatlo.
O mês de Agosto já lá vai e com ele, dois excelentes treinos na Golegã e em Peniche, agora é só afinar de novo o motor e enfrentar o que resta desta época.
Em relação a novos e mais ambiciosos objectivos, vou esperar que surjam naturalmente, para já só penso em fazer mais e melhor :-)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

ETERNO ARMSTRONG

Lance Amstrong conquistou por direito um lugar na história do ciclismo. O que torna o desporto único é que não há lugar para patos bravos tens de provar a competir o que consegues fazer e onde consegues chegar. Quando alguém quer através da secretaria retirar o protagonismo ao personagem que o conquistou por direito, algo de errado se passa, quando a arbitrariedade e a lei do faroeste fazem o seu caminho devemos questionar-nos. Infelizmente a nossa imprensa uma vez mais seguiu o caminho mais fácil, o da desinformação e do mediatismo barato sem se dar ao trabalho de fazer o seu trabalho de casa. Meus amigos convido-vos a lerem este texto, talvez ajude muitos a fazerem as perguntas certas.
Felizmente penso que o homem não se irá deixar uma vez mais enterrar, e espero um dia ainda o ver a competir em Kailua-kona.
Texto retirado do blog Carro vassoura

O texto a seguir apresentado é da autoria de Diogo Martins, licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. A mim, Rui Quinta, autor habitual do Carro Vassoura, resta-me agradecer ao mesmo e sugerir aos visitantes do blog a leitura do mesmo. Apesar de extenso, vale a pena.
Nota prévia: Ao longo deste artigo não é tomada qualquer posição quer contra quer favor Lance Armstrong. Na realidade, no âmbito deste artigo, é absolutamente indiferente se Armstrong se dopou ou não; apenas relevam as questões processuais e judiciais relacionadas com o ciclista nos últimos dois anos.
A decisão tomada por Lance Armstrong esta passada quinta-feira, dia 23 de Agosto, não é, como alguns sugerem, um reconhecimento da prática de dopagem ou uma verdadeira desistência do processo, antes o ciclista norte-americano partiu para uma segura e inteligente estratégia processual. As acusações que pairavam sobre Lance Armstrong são antigas, mas quase sempre concentradas em França. Contudo, nos últimos dois anos, todas as discussões jurídicas foram para o local onde a imagem de Armstrong era incólume e icónica - os Estados Unidos.
Vale a pena rever e compreender todos os passos jurídicos que ocorreram desde 2010 neste país.
I – Lance Armstrong vs FDA Em Maio de 2010, Floyd Landis, depois de anos a lutar e a jurar inocência no seu próprio caso de doping, admitiu a sua culpa e implicou directamente Lance Armstrong e Johan Bruyneel como os elementos que o levaram a recorrer sistematicamente ao doping. Mais, a estas acusações juntaram-se ainda outras mais graves, incluindo subornos de Armstrong à UCI para esconder controlos positivos e todo um esquema corrupto favorecendo a US Postal. Landis apareceu na opinião pública e perante as autoridades a desmascarar aquilo que seria uma conspiração considerável. Face a essas acusações, foi aberto um procedimento criminal por autoridades federais, não desportivas, nomeadamente a Food and Drug Administration.
 O objectivo deste processo e o interesse das autoridades policiais era, mais do que verificar a dopagem ou não de Armstrong, fazer uma análise profunda para aferir a existência de um esquema de dopagem dentro da US Postal, o que envolveria a prática de mais crimes, nomeadamente o tráfico de substâncias ilegais, fraude, corrupção, tráfico de influências, entre outros; um pouco à semelhança do famoso caso do laboratório BALCO.
Era um processo de cariz criminal, de interesse público, sujeito a penas de prisão. O modelo processual penal americano é francamente diferente do português. Em Portugal o Ministério Público visa apenas apurar a verdade, não havendo verdadeiramente um processo de partes (A vs B). Assim, em Portugal, o MP pode sempre colocar-se a favor do arguido em qualquer momento do processo. Diferentemente, o modelo americano é verdadeiramente um modelo de partes, em que as entidades públicas investigam e montam casos numa perspectiva directa de oposição ao arguido, muitas vezes assumindo posturas agressivas ao acusado.
 Isso explica a típica exteriorização, em filmes e séries, dos procuradores norte-americanos muitas vezes como “vilões”, indiferentes à verdade material, obcecados com condenações radicais. Contudo, em ambos os casos, recai sobre MP e a Procuradoria Norte-Americana investigar e provar a culpa dos arguidos, quando a há. Após a abertura deste processo criminal, seguiu-se uma longa novela, com Bruyneel, Popovych, Ekimov, o ex-presidende da UCI Verbruggen, o actual presidente McQuaid e muitos outros a colocarem-se do lado de Armstrong; enquanto que a FDA se baseou em testemunhos de alguns ex-ciclistas bem conhecidos com Landis e Hamilton.
 O testemunho é a única prova admissível para doping em casos de dopagem sem controlos positivos. Quase dois anos passados, o processo acabou arquivado sem chegar a um julgamento propriamente dito, pela insuficiência da acusação de ter provado o esquema de doping concertado da US Postal. A FDA chegou à conclusão que não tinha recolhido provas suficientemente credíveis como inicialmente pensava e, posto isto, o processo morreu por ali.

II – Lance Armstrong vs USADA Posto isto, veio imediatamente, em Junho deste ano, a USADA abrir ela própria processo contra Armstrong. A USADA é a Agência Americana de Anti-Dopagem e aqui o objectivo era outro - procurava-se aferir exactamente se haveria ou não dopagem; se Armstrong e as demais sete pessoas contra as quais foi aberto procedimento tinham praticado alguma violação desportiva… e não provar a prática de algum crime, nos termos descritos acima e que era o interesse da FDA. Falamos assim de processos diferentes e objectivos diferentes por parte da FDA e por parte da USADA. Isso não implica contudo que os processos sejam absolutamente autónomos um do outro, visto que a USADA aproveitou prova produzida contra Armstrong no processo da FDA e noutros processos relevantes para ela própria abrir o respectivo processo de dopagem. Novamente, as consequências são diferentes: se no processo da FDA poderíamos falar em penas de prisão, aqui as consequências são iminentemente desportivas, dadas as competências da USADA – o que gerou a suspensão provisória de Lance Armstrong. Podemos comparar com o que aconteceu em Portugal: o Póvoa Cycling Club foi alvo de um processo criminal, investigada pela PJ e acusada pelo MP que levou a uma decisão de mérito do Tribunal; por sua vez, em sede de processo distinto, no que se trata da questão disciplinar, os seus ciclistas foram alvo de suspensões pela FPC e ADoP.
O processo entre a USADA e Armstrong tem sido extremamente agressivo, explicável pela mentalidade do referido modelo de partes utilizado nos Estados Unidos, mas muitas vezes inexplicável face aos princípios gerais de Direito e foi precisamente por isso que desde cedo surgiram muitas dúvidas sobre a legalidade dos procedimentos da USADA. O processo da USADA foi feito contra várias pessoas, entre eles alguns médicos como José Marti, Michelle Ferrari e Garcia del Moral que preferiram, por diversos motivos, nem sequer responderam ao organismo, sendo imediatamente irradiados. Mas Armstrong, num primeiro momento, decidiu não responder à USADA em sede de decisor arbitral, mas promover uma providência cautelar, no tribunal federal, tentando bloquear a investigação. Daí que, num primeiro momento, não tenha tido o mesmo destino que os referidos médicos, pese, na prática, ter feito o mesmo que eles – abster-se de responder à USADA.
Os argumentos da equipa de advogados de Lance Armstrong partem, desde logo, pelo facto de a USADA adoptar práticas processuais agressivas condicionantes de um julgamento injusto, violando um direito constitucionalmente consagrado. Muito discutido foi, desde logo, o facto da associação anti-dopagem não revelar ao atleta toda a prova que foi adquirida contra ele, mantendo assim “cartas na manga”. De facto, de um ponto de vista penal, apenas a Inquisição condenava pessoas sem lhes dizer por quem e porquê eram acusadas; hoje em dia os processos têm de estar disponíveis para o arguido se poder defender e não ter “surpresas” em tribunal, podendo, por exemplo, um processo cair se a procuradoria norte-americana esconder deliberadamente provas favoráveis ao arguido, independentemente se é culpado ou não. Contudo, aqui não é um procedimento penal como o foi na FDA, mas administrativo, e aí segue-se as regras da própria USADA e da WADA, organismo internacional anti-dopagem. No protocolo 11 do regulamento da USADA, indica-se que esta pode não dar a conhecer ao atleta informação que a USADA não considere apropriadas para o desfecho do caso e a defesa do atleta. A norma é relativamente ampla e dá bastante poder ao organismo, contudo, indica que a informação que se considerar relevante para o atleta deve ser enviada, simultaneamente, a um “Review Board” - um corpo de árbitros independentes da USADA que aferem da suficiência probatória do procedimento, num primeiro nível de controlo do próprio organismo. E esse organismo deu luz verde à USADA.
Mas é aqui que surge também o primeiro problema: não o facto da USADA não ter dado a informação toda que os advogados de Armstrong pretendiam ter (independentemente da justiça e lealdade da decisão, mas eles são livres de decidir), mas a questão de a USADA ter submetido provas da investigação ao Review Board e não o ter feito também com Armstrong – o que, isso sim, viola o regime da própria instituição anti-dopagem. Como tal, num momento posterior, em sede de discussão arbitral, a defesa iria defender-se do que sabia pelos media… e sabe-se lá do quê mais. O outro argumento de Lance Armstrong é o facto de, conforme o artigo 17º do Código da WADA (que transmite as regras gerais dos procedimentos de dopagem) haver uma limitação das suspensões desportivas a factos praticadas nos últimos 8 anos. É um regime como o da prescrição, que funciona em Portugal em todas as jurisdições, quer civis, quer penais, com uma razão de ser perfeitamente óbvia, pelo facto de ser necessário certos factos serem consolidados no tempo – é impensável alguém com 70 anos ser condenado por uma dívida que contraiu há 50 anos; ou ser condenado por um roubo que fez há 30.
 O princípio de segurança jurídica, central no ordenamento jurídico, tem paralelismo lógico no desporto - é no mínimo exótico retirar vitórias de um ciclista ganhas, literalmente, no século passado. Apesar de tudo, há precedentes no sistema norte-americano (um sistema muito mais baseado na prática dos tribunais do que na lei propriamente dita) para ser ignorada o artigo que limita a condenação a práticas desportivas aos últimos oito anos. Mas, verdade seja dita, parece extremamente inverosímil que a USADA o conseguisse nos termos desses precedentes: era preciso provar, por exemplo, que houve perjúrio de Armstrong anteriormente (como no caso do maratonista Eddy Hellebuyk) ou que todo o esquema de dopagem foi deliberadamente escondido dos olhos da USADA, tornando impossível a esta conseguir, dentro do prazo legal, interpor a acção contra Armstrong. Ambos os casos são quase impossíveis de provar – era preciso provar que era culpado e que a USADA nada pôde fazer em 14 anos. Mais acessível seria uma última hipótese: provar que houve uma prática de dopagem continuada e reiterada entre 1998 e 2010.
 Contudo, era necessário avaliar que todos os supostos actos de doping de Armstrong seriam um único evento, ou melhor, houve um “crime” manifestamente continuado (como se fosse um sequestro) e não uma série de crimes (como seja 10 roubos em 10 dias que, mesmo que feitos pela mesma pessoa, não assumem um carácter de continuidade). Também é complicado afirmar categoricamente isto, como é fácil de imaginar, não houve uma continuidade absoluta entre as equipas US Postal, Discovery Channel, Astana e Radioshack. Este é o aspecto prático provavelmente mais patético de toda esta história: a forma como, com uma única decisão feita quase à revelia, só porque Lance Armstrong optou por não se defender da USADA, se apaga literalmente milhares de corridas – etapas, clássicas, classificações do pontos, da montanha, classificações gerais, mundiais e até, espante-se, a medalha olímpica de 2000… Quando nem o Comité Olímpico Internacional o faz. Ainda há outro problema com a USADA – é se ela tem ou não jurisdição, ou seja competência ou poder, para abrir este processo contra Armstrong. Este argumento é anterior a todos os demais – antes de ver se é ou não culpado, se pode ou não abrir processo face a acontecimentos tão antigos, se a USADA deve ou não dar informação; é saber se a USADA pode sequer estar a abrir o procedimento. A UCI e a Federação de Ciclismo Norte-Americana dizem que não, a WADA põe-se do lado da USADA. Atenção, falamos sempre de entidades diferentes.
 A UCI argumenta que só ela poderia sancionar Lance Armstrong por uma longa série de motivos:
1. Foi a UCI que recolheu as amostras anti-doping que a USADA usa a seu favor;
2. As regras anti-doping da UCI determinavam que só a UCI poderia aplicar sanções até 13 de Agosto de 2004 e, portanto, todas as sanções só podem reportar-se ao período após esta data;
3. A UCI tem jurisdição exclusiva nos termos do Código do WADA; 4. A USADA tem jurisdição apenas quando descobre um controlo anti-doping positivo e não numa “conspiração” – o que inviabiliza as sanções aos não-desportistas. Por isso mesmo e por ter sido completamente posta de lado da investigação, a UCI reclama para si o poder de sancionar e abrir um procedimento contra Lance Armstrong. A USADA, por sua vez, simplesmente ignorou a UCI e baseia a sua jurisdição unicamente no artigo 15.3 do código do WADA, que estipula que quem “descobre” a violação por doping deve ter autoridade para sancionar. O problema é que na continuação do artigo refere que o processo segue as regras processuais do Organismo Anti-Dopagem que iniciou e comandou a recolha de amostras… o que não foi o caso da USADA. Contudo, a interpretação deste artigo é tudo menos pacífica. O que deixa particulares dores de cabeça é a USADA colocar-se como julgadora em provas fora do seu país.
Uma última questão é o facto de Lance Armstrong ter sido condenado com irradiação, quando o limite máximo da responsabilidade disciplinar é de quatro a cinco anos para ciclistas não-reincidentes, que se tenham dopado com circunstâncias agravantes. Este ponto é particularmente importante e tem sido relativamente descurado nas análises ao processo: é que a suspensão vitalícia feita em ciclista não reincidente só pode ocorrer por tráfico de substâncias dopantes, nos termos do artigo 10.3.2 do código do WADA.
Por tudo isto, o primeiro passo da defesa de Lance Armstrong foi de interpor uma providência cautelar num tribunal comum simplesmente para impedir a USADA de sequer prosseguir o procedimento disciplinar. Armstrong perdeu, não propriamente porque tinha ou não razão, mas porque o tribunal escusou-se a decidir algo cuja competência não era sua – remeteu para o TAS qualquer decisão relacionada com esta questão. Lavou as mãos, como Pilatos. Perdida a providência cautelar, a USADA “chantageou” Armstrong: ou aceitava ir para um procedimento de arbitragem – similar a um processo judicial mas recorrendo a árbitros, ou seja, extrajudicial; ou renunciava a esse procedimento de arbitragem e era de imediato suspenso, irradiado e os resultados retirados. Armstrong seguiu a segunda opção. III – E agora? Iniciado o procedimento pelo USADA, nos termos propostos por esta, a decisão caberia, num primeiro lugar, na AAA – Associação Americana de Arbitragem e posteriormente, em recurso, no TAS. Armstrong evitou ir a arbitragem, por um motivo simples: quis evitar o lavar de roupa suja e a enorme exposição mediática que o processo poderia ter. Ao expor-se a ir a arbitragem, acabaria por expor também perante a opinião pública todo o processo preparado pela USADA. Em mais de quinze anos de competição e mais de meio milhar de controlos, Armstrong nunca teve um controlo positivo, logo, toda a prova teria que partir somente de testemunhas, como Landis, Hamilton e alegadamente até George Hincapie.
Nas declarações hoje emitidas pelos seus advogados, acrescenta ainda o facto do processo de arbitragem não poder contar com elementos da UCI ou da Federação Americana de Ciclismo. Mesmo que a decisão fosse a favor de Armstrong, o que até é bastante provável, e mesmo tendo a possibilidade de recorrer, é notório que todo o processo iria ser moroso, sujo, pantanoso, caro e ruinoso para o ciclista norte-americano. Ao desistir do processo e aceitar perder tudo o que ganhou, Armstrong não está a dar um tiro na cabeça e a arrumar o assunto. Os primeiros interessados em querer evitar que o processo fique por aqui é a UCI. Há, em primeiro lugar, uma questão de honra a defender - a USADA basicamente afirmou que a UCI não é de confiança; é uma instituição corrupta, suja. Não é só uma questão de honra – é que a jurisdição do processo, o poder de promover o procedimento contra Armstrong, é provavelmente sua. Finalmente, tudo isto criou um patético desfecho: a revisão de milhares de resultados desportivos, com a consequência que muitas das vitórias de Armstrong iriam parar às mãos de… bom, ninguém sabe muito bem quem, visto que Jan Ullrich, Ivan Basso, Tyler Hamilton, Francisco Mancebo e muitos outros ciclistas efectivamente condenados por doping são os que se seguem na lista.
A UCI tem nas mãos a possibilidade de ver absolutamente deturpada e arrasada a história da sua modalidade na última década, por um organismo que dubiamente tem autoridade para o fazer. Não o vai deixar fazer isso. A pressionar a UCI está, obviamente, toda a gente, a começar por patrocinadores – horrorizados pelo passado, presente e futuro e a fugir a sete pés de um desporto amaldiçoado; as equipas – pasmadas com a possibilidade de fazerem épocas inteiras para nada; e, acima de tudo, ciclistas. É para estes que a decisão é particularmente gravosa e não se espante o leitor de ver partir dos ciclistas a maioria das críticas a esta decisão da USADA: é que Lance Armstrong perde anos e anos de vitórias sem um único controlo positivo mas ante quinhentos controlos negativos e num processo que, verdade seja dita, começou na confissão de Floyd Landis, alguém que tem, publicamente, uma vendetta pessoal contra Armstrong. Lance Armstrong não perde só vitórias, perde todos os prémios monetários ganhos até aqui. Qualquer ciclista, vendo abrir o precedente de perder a conta bancária e mérito desportivo sem um único controlo positivo, baseado em testemunhos de rivais de estrada, ficaria arrepiado. Acima de tudo há aqui uma enorme machadada na imagem do desporto, mas incrivelmente mais violenta que aconteceu com Landis, Contador ou até os casos Festina ou Puerto e um brutal descrédito no programa anti-doping da UCI. A UCI aguardou a comunicação – obrigatória – da USADA dos castigos e motivação dos mesmos e agirá, provavelmente no TAS, para aferir da legalidade da punição da USADA. Será aqui verdadeiramente decidida a causa e tudo o referido supra: a jurisdição, “fair play”, prova e possibilidade de punir até 1998 que a USADA sustenta ter. Como indica a carta aberta feita pelos advogados de Armstrong, estes esperam agora que seja a UCI a tomar conta do processo, a avocar competências e a julgar definitivamente o processo. A última frase da carta refere ainda, que no futuro, a USADA e os seus responsáveis não se livram de responsabilidade civil caso o procedimento disciplinar que abriram seja considerado fora das suas competências. Conclusão Em suma, o que se assistiu hoje não é o fim de uma história, um admitir de culpa de Armstrong ou sequer vamos a meio de um processo que se espera longo.
 Como o caro leitor compreendeu, trata-se de um procedimento nada simples, que navega pelo limbo da legalidade e que expõe, de uma forma clara, a confusão enorme que surge com o sobrepor de competências e arcaísmos dos códigos da UCI, WADA e USADA. Além do mais, emerge daqui a complicação que é encaixar dois sistemas judiciais um no outro: o europeu, que tem tribunais administrativos próprios para julgar este tipo de questões; e o norte americano, baseado no procedente, sem competências administrativas óbvias e que, apesar de muitas vezes parecer aos olhos da opinião pública como muito eficiente e bonito, pode se revelar particularmente complexo para aferir a verdade material. Já vimos os interesses que giram à volta da UCI – e quanto à USADA? É um organismo anti-dopagem transversal a todas as modalidades desportivas, logo indiferente ao ciclismo. A verdade é que Lance Armstrong é extremamente popular nos EUA e um alvo relativamente fácil face ao seu passado relativamente obscuro. A USADA viu aqui uma oportunidade única de fazer de Armstrong um exemplo, tenebroso, para o desporto norte-americano. O que se segue é, quase seguramente, um conflito no TAS entre a UCI e o USADA para aferir da competência desta de retirar todos os resultados desportivos de Armstrong desde 1998 – apesar da limitação temporal dos oito anos, apesar das dúvidas de jurisdição, apesar das dúvidas quanto à própria justiça do procedimento e, obviamente, das próprias dúvidas quanto a se Lance Armstrong, afinal, se dopou ou não.

Diogo Martins Advogado Licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa